Pacto de Discórdia - Blog da Fórmula-1 de Daniel Dias - Dias ao Volante

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Pacto de Discórdia

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Publicado por em F-1 ·

Quem leu o livro Não Sou Um Anjo, biografia autorizada de Bernie Ecclestone, meu caso, entende bem a nova gaiatice promovida pelo velho titio nesta quarta-feira, afirmando que o Ross Brawn, diretor esportivo da nova Fórmula-1, comandada pela norte-americana Liberty desde o ano passado, quer na verdade se tornar o todo poderoso da categoria, afastando, segundo Bernie, o bigodudo Chase Carey.
Continua Ecclestone: "o Ross não é pessoa que se satisfaça com meio poder. Ele quer o poder absoluto". Uma das razões para Bernie achar assim é o fato que o norte-americano Carey não quer morar na Europa.
Algumas considerações, Ecclestone:
Primeiro: o mundo de agora não é o de sua época. Em uma época cibernética e de vídeo conferências, uma pessoa pode estar em qualquer lugar do mundo a qualquer momento. Aliás, a pessoa tem agora o dom da onipresença, pode estar em vários lugares no mesmo instante.
Segundo: Ecclestone construiu sozinho toda a fantástica F-1 moderna. Ele usou toda sua experiência de vendedor de carros usados em Londres para passar a lábia nos donos de equipe e na FIA, nas suas negociatas e conflitos de interesses que tinham apenas um ganhador: ele mesmo. Bernie construiu sozinho a F-1 que conhecemos e se tornou bilionário. Ele nunca explicou claramente como funcionavam suas tratativas com os circuitos, as emissoras de TV e tudo que dizia respeito a dinheiro. Nem o real valor da F-1 ele dizia qual era, contratos não eram assinados, tudo ficava acordo de boca.
Terceiro: pois bem, a coisa não é mais assim, Bernie! A Liberty Media comprou a F-1, e demitiu Ecclestone – ou dispensou os serviços – no começo do ano passado. Carey é CEO da Liberty. Seu cargo não tem nada a ver com a posição que Bernie ocupou durante mais de 40 anos. A velha raposa inglesa costumava promover desavenças entre os chefes de equipe, estimulava a discórdia, saía liso da reuniões e deixava o pessoal discutindo sozinho, enquanto continuava a reinar absolutamente.
Quarto: esta fofoca – não vejo outra palavra para definir esta nova coisa proposta por Ecclestone – me parece mais uma reunião de discórdia promovida pelo velho dirigente, embora os célebres acordos com as equipes em sua época chamavam-se, ironicamente, de Pacto de Concórdia.



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