Ayrton Senna 25 anos depois - Blog da Fórmula-1 de Daniel Dias - Dias ao Volante

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Ayrton Senna 25 anos depois

Dias ao Volante
Publicado por em F-1 ·

Duas das maiores tragédias da História foram mostradas ao vivo pela televisão, separadas por apenas seis anos. Primeiro, no dia 1 de maio de 1994, as imagens levadas ao vivo do circuito de Ímola, na Itália, a milhões de telespectadores em todo o mundo mostraram Ayrton Senna, o maior piloto de todos tempos, bater violentamente contra o muro da Tamburello, na abertura da sétima volta do GP de San Marino. O tricampeão morreu instantes depois, embora os organizadores da corrida insistam a vida inteira que ele morreu no Hospital Maggiore, em Bolonha. O próprio Sid Watkins, médico-chefe da Fórmula-1 e amigo íntimo de Senna, documentou no livro Viver nos Limites que viu o momento em que "a alma do Ayrton foi embora", ainda dentro da Williams de número 2, "apesar de eu ser um agnóstico", completou em seguida o doutor no seu livro. Senna é tão grande que o dia 1 de maio não mais ficou sendo como o Dia do Trabalhador, a data ficou marcada como o dia em que o Senna morreu. Faz 25 anos!
Seis anos depois, as imagens da televisão de Nova Iorque, que não é a capital dos EUA mas é a capital do mundo, mostraram ao vivo o exato momento em que o segundo avião sequestrado por dementes fundamentalistas se espatifou contra a Torre Norte do World Trade Center. Quase uma hora antes, o primeiro avião bateu na Torre Sul do complexo financeiro localizado no extremo sul de Manhattan. As imagens do primeiro impacto seriam recuperadas pela TV durante aquele 11 de setembro de 2001. Para o mundo, ficou o trauma eterno das imagens ao vivo do segundo avião se chocando no WTC e do desabamento das duas torres. Aqueles belos edifícios gêmeos, inaugurados em 1973, de mais de cem andares e um dos símbolos de Nova Iorque, ficaram reduzidos a nada. Não restou um único andar das duas torres em pé. De tão grande, o 11 de setembro não mais ficou como apenas uma data perdida no começo do nono mês do ano, ficou eternamente marcado como o 11 de Setembro, agora em "caixa alta", o dia do maior atentado terrorista de todos os tempos.
De tão grandes, as duas tragédias mostradas ao vivo pela TV foram quase um enredo de filme de Hollywood, quase inverossímeis. Por isso mesmo, jamais deveriam se tornar um filme, como os produtores de Los Angeles tentaram fazer, e fizeram, com o péssimo As Torres Gêmeas, estrelado por Nicolas Cage. Menos mal que os produtores de um possível filme com Antonio Banderas na pele de Senna contando os últimos dias do tricampeão tenha fracassado antes mesmo do início das filmagens. Exibidas ao vivo pela TV, as duas tragédias mostraram um terrível roteiro com início, meio e fim. Com final o pior possível. As imagens ao vivo do maior piloto de todos os tempos morrendo na primeira posição da corrida e em um dia 1 - lugar que lhe é de direito para sempre - e os dois símbolos norte-americanos ruindo espetacularmente - no mais triste significado dessa palavra - rodarão na cabeça de todos nós para sempre. Não necessitam de um filme. Todas as vezes que revemos os dois dias – visualmente ou repassando as cenas em nossas mentes -, parece que não são reais, que não aconteceram. A gente fica torcendo que reencontremos as duas torres na ponta de baixo da Big Apple, majestosas, como sempre, intocadas.
E que ficássemos contando aqui todos os recordes e títulos de Ayrton Senna se aquela barra de direção estivesse estourado em uma das duas curvas seguintes de Ímola, porque aí ele sairia do carro apenas furioso por não poder brigar por mais uma vitória.
Senna se foi há exatos 25 anos. Essa é a ficção. Mas Senna será sempre o maior piloto de todos os tempos. Essa é a realidade.
A foto que ilustra este post é para mim a melhor imagem de Ayrton Senna, ao lado de sua paixão, um carro de F-1, no caso, a Lotus, e com seu olhar triste de quase sempre. Essa imagem foi feita no dia 20 de abril de 1985, no circuito do Estoril, após ele ter feito a pole position do GP de Portugal, e na véspera de sua primeira vitória na F-1. Na corrida, debaixo de muita chuva, Senna colocou pelo menos uma volta em cima de todos os adversários, com exceção do segundo colocado.



2 comentários
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Daniel Dias
2019-05-02 22:29:14
Muito obrigado, querido mano. E também assino em baixo no que tu falaste.
Maurício Dias
2019-05-02 20:16:22
Expcional texto, mano Daniel. O Ayrton Senna é eterno e insubstituível. Jamais um piloto de F1, vai mexer tanto com uma nação, como o fez o nosso Senna.

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