O Cleber Machado "salvou" Baku - Blog da Fórmula-1 de Daniel Dias - Dias ao Volante

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O Cleber Machado "salvou" Baku

Dias ao Volante
Publicado por em F-1 ·

De prova colocada sob alto risco, pelos trechos muito estreitos da pista de Baku, acabamos tendo uma das corridas mais chatas dos últimos tempos, com o alemão Nico Rosberg, da Mercedes, quase morrendo de sono em primeiro lugar desde a largada e sem enfrentar nenhum problema até chegar a sua quinta vitória no ano e a reconquista da tranquilidade na liderança do campeonato.
De prova em que o safety car bateria todos os recordes de entrada na pista, o carro pilotado pelo alemão Bernd Maylander não entrou nenhuma vez.
Lewis Hamilton largou da décima posição, após ter batido no treino de classificação, e não pôde ganhar muitas colocações porque enfrentou problemas de gerenciamento do motor de sua Mercedes. O tricampeão teve de se contentar com o quinto lugar no final.
Com todo mundo cagado depois da série de batidas na prova da GP2 no sábado, todos da F-1 largaram com cautela e todos passaram limpos pelo trecho sinuoso do Castelinho, onde o Hamilton bateu na classificação.
As Red Bull de Daniel Riccardo e Max Verstappen tiveram problemas com os pneus logo no comecinho e ficaram para trás. Sebastian Vettel com isso levou com toda a calma a Ferrari para as primeiras posições, completando no segundo lugar do pódio a exemplo do que tinha feito na semana passada, no Canadá.
Sergio Perez, da Force India, foi o grande destaque, além do Rosberg, claro, do fim de semana da oitava etapa, de 21, da temporada. O mexicano fez uma prova de recuperação, depois de ter perdido cinco posições no grid de largada por ter trocado o câmbio antes do treino de classificação. Foi recompensado com o terceiro lugar.
Ou seja, todos muito felizes no pódio: Rosberg, por ter se reencontrado com a confiança perdida após duas vitórias seguidas de Hamilton, Vettel, porque sabia que a Ferrari não poderia tentar algo melhor contra o motorzão das Mercedes em Baku e Perez, por um amadurecimento e uma prova consistente.
Felipe Massa, da Williams, largou da quinta posição e fez uma prova com freio de mão puxado. A colocação no grid foi totalmente enganosa, já que o brasileiro passou todo o fim de semana reclamando dos pneus, numa ladainha chata pra c... burro. O seu xará Nasr andou muito bem desde a classificação a bordo do carroção da Sauber e foi um dos destaques, guardadas as proporções, e limitações de equipamento.
Em uma corrida tão chata, deu tempo de ficar observando outras coisas extra-corrida, como o Raikkonen discutindo com a equipe sobre uma possível ajuda do box para consertar um problema na sua Ferrari. Ouvindo que a equipe não poderia auxiliar, por força do regulamento, o finlandês não teve dúvidas e disse:
- Vá lá, você pode ajudar sim – como se fosse uma criança pedindo ajuda por baixo dos panos.
Mas o melhor/pior foi o narrador-perdidão-fala pelos cotovelos-chato-e sem noção Cleber Machado. O cara é o melhor narrador de futebol da Globo, no entanto, F-1 ele não sabe exatamente do que se trata. Ele tem uma vaga ideia de que se trata de uma corrida de automóvel muito famosa no mundo. Ouvindo o Cleber, me fez lembrar da participação calamitosa da Glória Pires na cobertura da entrega do Oscar deste ano.
O simpático Cleber Machado conseguiu errar todos os nomes dos pilotos de uma mesma equipe. Se aparecia na tela o Verstappen da Red Bull, podia apostar de que quem estava no ar era o Riccardo. E assim com todas as equipes.
Apenas algumas pérolas do carinha da Globo:
- O piloto passou na reta a 300 e tantos por hora. (Numa F-1 tão precisa em matéria de números, "e tantos" significa rigorosamente nada).
- Os centímetros não correspondem aos mesmos metros. (neste momento, pensei em telefonar pro meu psicólogo, porque não sei exatamente o que o Cleber quis dizer com esta asneira).
- Foi uma ultrapassagem bacana. (Bacana, ninguém merece).
- Os pilotos devem cuidar quando chegam na parte dos muros. (Toda, absolutamente TODA a pista de Baku é cercada de muros).
- Monza ainda é a pista mais rápida da F-1? (Preparação antes de narrar a corrida zero).
E por aí vai, se lembrarem de outras, contem aqui, confesso que em algumas vezes dei uma saída para fumar, de tão insuportável estava a prova, e o narrador.
A próxima parada é daqui a duas semanas, na Áustria, o circuito da Red Bull. Teremos a volta de uma corrida mais "normal". O retão de 2 quilômetros de Baku deu muita vantagem para o motorzão alemão.



3 comentários
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Daniel Dias
2016-06-20 23:19:04
Ótimas observações, Matteus e Francisco. Se não ficou claro nas minhas opiniões, quero reinterar que a culpa foi dos pilotos mesmo, que se cagaram pelo que viram na GP2. Parecia os machões da Stock Car que uma vez se negaram a entrar na pista molhada de Tarumã e suspenderam a corrida. De fato, o circuito de Baku não teve culpa.
Francisco, a máxima do Fangio é muito boa.
Abraços.
Francisco Cavalin
2016-06-20 18:17:22
Roberg seguiu a máxima de Fagio: Ganha aquele que anda mais devagar na frente dos outros.
Ele economizou pneus, combustível e motor.
Eu sou a favor da SporTV para as transmissões.
Abraços Francisco
Matteus Saldanha
2016-06-20 11:48:53
A prova foi "chata" por causa dos pilotos e não por causa da pista. Acho que esse circuito tem muito carboidratos para engrossar corridas excelentes. Como vc mesmo disse: É uma pista desconhecida, a GP2 havia sido um fiasco e todo mundo estava com medo. O que provavelmente não acontecerá ano que vem quando todo mundo ali já vai ter conhecido a pista. O Traçado é lindo, com alguns pontos de ultrapassagens e o risco do muro o S do castelo. Requer muita atenção do piloto.
Poxa! a pista é mais rápida que Monza! Vemos marcas de 360km/h ao mesmo tempo que vemos partes mais lentas que em Monaco. Que pista fudida! (No bom sentido).
Não julgo a pista, julgo os pilotos.
O unico problema é justamente o que mais proporciona ultrapassagens: O retão. É muito longo e previlegia quem tem melhor motor, sempre. Mas mesmo assim.... Achei a pista excelente! A corrida? Muito chata!
A culpa: Dos pilotos.
Mas acho que isso mudará nas próximas. Ou não. O tempo dirá.

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