Eu já sabia! - Blog da Fórmula-1 de Daniel Dias - Dias ao Volante

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Eu já sabia!

Dias ao Volante
Publicado por em F-1 ·


Nesta quinta-feira no circuito Gilles Villeneuve, aconteceram as tradicionais entrevistas com alguns pilotos que participarão da corrida de domingo. Enquanto torcedores passeavam pelo Parque de Montreal, na ilha artificial de Notre Dame, erguida para a Olimpíada de 76, levando a Ferrari literalmente na cabeça, Lewis Hamilton e Fernando Alonso eram atrações na sala de imprensa. O primeiro por ser um dos protagonistas do campeonato, ao lado de Sebastian Vettel, o líder, e o segundo por estar retornando à F-1 depois de sua brilhante participação nas 500 Milhas de Indianápolis, a qual comandou a maior parte do tempo mas teve quebra de motor a menos de 30 voltas para o final.
Com duas péssimas corridas no ano (Rússia e Mônaco), Hamilton está pressionado. Na semana passada, ele disse que o problema neste ano está sendo a instabilidade do carro. É mesmo, Lewis? É óbvio o que falta no bólido da Mercedes: alguém que encontre os acertos da máquina a cada prova, coisa que deveria ser competência sua, Lewis! Amigos, acompanhem minha coluna desta semana para o site Esporte de Fato, do meu amigo Luiz Humberto, do Rio. Podem ver que eu já sabia!
No próximo domingo, a Fórmula 1 dá um tempinho na fase europeia do calendário para uma breve visita à América, com o GP do Canadá, sétima etapa do Mundial. E a alça de mira continua apontada para o inglês Lewis Hamilton, colocado a 25 pontos do líder Sebastian Vettel.
Tudo isto por conta de uma surpreendente irregularidade do tricampeão da Mercedes, apático em duas etapas de uma temporada na qual era apontado como o grande favorito para o título. Afinal, está sentado novamente no cockpit da grande Flecha de Prata alemã, dona absoluta do circo nas últimas três temporadas. Para arrematar a sua condição, Hamilton finalmente estaria livre do companheiro e ferrenho oponente Nico Rosberg, atual campeão e aposentado precocemente.
Mas o campeonato tratou de desmentir os prognósticos. A Ferrari veio forte nas mãos de Vettel e, ao mesmo tempo, Hamilton protagonizou duas corridas irreconhecíveis, na Rússia e em Mônaco. Tão logo terminou a prova no Principado, com nova conquista do rival alemão, as conversas de paddock indicaram uma só direção: "o que está acontecendo com Hamilton?".
Na semana passada, o inglês tomou uma decisão, anunciando pela imprensa que iria à sede da equipe para ver se alguma coisa estava errada com sua máquina. Mais uma bola fora! Qualquer piloto pretendente ao titulo sabe que acompanhar a construção e o desenvolvimento do carro na fábrica é essencial. Apenas ficando na Mercedes, Rosberg era o chamado "rato de laboratório", sempre presente na sede da escuderia. Mais: já aposentado e escolhido como uma espécie de embaixador da Mercedes, Rosberg esteve na casa da estrela de três pontas em janeiro, acompanhando os trabalhos finais em um carro que ele nem pilotaria..
Todas estas mancadas de Hamilton nos levam aos bons tempos dos grandes acertadores de carro da Fórmula 1, atualmente meio ausentes porque os ajustes finos são feitos mais pelos engenheiros e seus computadores do que pelos pilotos. No entanto, o trabalho das maiores estrelas do circo ainda são necessários.
Na arte de acertar um carro, nenhum nome é mais lembrado que o de Nelson Piquet. Exímio ao volante e nos ajustes, o brasileiro tricampeão foi insuperável no quesito. Se um piloto reúne as duas qualidades, ganha contornos de ser um corredor completo e a admiração eterna dos membros da equipe, aqueles caras que ralam nos boxes para dar a arma necessária para a luta pela vitória. Piquet é idolatrado ainda hoje quando dá uma conferida in loco nos bastidores em alguma prova escolhida a dedo, pois Piquet é avesso ao estrelismo. Quando comparece em um autódromo, quase sempre está no abrigo da garagem de uma equipe, conversando com os amigos.
Em 1987, em meio à briga insana contra o inglês Nigel Mansell – talvez o maior "braço" que a Fórmula 1 teve mas um obtuso completo em acertar um carro -, Piquet escondia os ajustes até a hora da largada. No mesmo ano, o brasileiro fez sozinho todos os testes com a suspensão ativa – o carro "lê" as irregularidades do asfalto à frente e corrige automaticamente a altura em relação ao chão. Na primeira corrida com o dispositivo, Piquet deu uma lavada no companheiro em Monza, deixando o 'Leão' comendo poeira.
Como o inglês não conseguiu pilotar com aquela geringonça ultramoderna, a equipe – britânica e defensora do compatriota – decidiu suspender o uso do sistema. Em 88, todas as grandes escuderias resolveram imitar a suspensão ativa idealizada pela Williams e desenvolvida por Piquet.
Infelizmente, a arte dos acertadores não parece ser mais tão importante. Entretanto, Hamilton deveria saber que acompanhar o trabalho técnico em seu carro é vital para seu próprio sucesso.
Em tempo: o comportamento do carro da Mercedes não tem nada de irregular. Nas mesmas provas em que Hamilton andou mal, o companheiro Valtteri Bottas brigou sozinho, e bem, com as Ferrari.



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