Hamilton se vinga em Hockenheim - Blog da Fórmula-1 de Daniel Dias - Dias ao Volante

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Hamilton se vinga em Hockenheim

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Publicado por em F-1 ·





Lewis Hamilton devolveu neste domingo a derrota sofrida em casa para Sebastian Vettel, há duas semanas, vencendo o GP da Alemanha no quintal do seu maior rival, que bateu o carro na pista molhada de Hockenheim quando liderava com tranquilidade. Depois de ter errado no treino de classificação no sábado e ter largado na décima quarta posição, Hamilton contou com seu talento para recuperar posições e com uma incrível sorte ao ver Vettel cometendo um erro bobo, já na parte final da décima primeira etapa do Mundial de Fórmula-1. Sorte ou azar sempre fizeram parte do automobilismo, assim como os erros, mesmo dos pilotos de ponta. Vettel não deixará de ser um dos melhores pilotos da história por isso. No final da corrida, o tetracampeão alemão chamou para si toda a culpa pela escorregada e consequente batida na proteção de pneus dentro do Estádio de Hockenheim.
- Foi um erro bobo. Estraguei sozinho um fim de semana que estava sendo perfeito.
O GP da Alemanha teve ingredientes próprios de pilotos vencedores que largam atrás no pelotão e por causa do risco constante da chuva. Hamilton naturalmente foi ganhando posições até chegar lá na frente. Para os puristas que não acreditam em ordens de equipe, a corrida mostrou claramente dois momentos envolvendo as principais inimigas. No primeiro, Kimi Raikkonen trocou os pneus ultramacios (roxos) pelos macios (amarelos) mais cedo e passou a imprimir um ritmo forte. Quando Vettel parou nos boxes, voltou à pista atrás de seu companheiro.
Com pneus em melhores condições, o então líder do campeonato pediu à equipe para superar o finlandês, pois se considerava mais rápido. A ordem veio e Raikkonen cedeu a primeira posição. No segundo momento, já no final da prova, após a relargada (a entrada do safety car veio pela batida de Vettel), Valtteri Bottas atacou duramente o companheiro Hamilton, brigando pelo primeiro lugar. Em seguida, a equipe Mercedes ordenou que o finlandês mantivesse a segunda colocação, assegurando a vitória de Hamilton, agora líder do campeonato com 17 pontos à frente de Vettel. Bottas terminou a corrida em segundo e Raikkonen, em terceiro.
O Mundial volta à cena já no próximo domingo, com o GP da Hungria, última "estação" antes da parada de um mês das férias do verão europeu. O mais certo seria a F-1 ter feito esse recesso durante a Copa do Mundo, para não dividir as atenções com o futebol. Em Hungaroring, o favoritismo neste ano deve ser da Red Bull, com Daniel Ricciardo e Max Verstappen, quarto colocado neste domingo, enquanto seu companheiro, que largou no final grid por conta da troca de componentes no motor Renault, ficou pelo caminho justamente por quebra na unidade de potência. Os frequentes problemas mecânicos, aliás, serão os maiores inimigos da equipe austríaca na Hungria.
A tentativa de recuperação de Vettel no campeonato será buscada em uma pista que foi toda favorável à Ferrari nos dois últimos anos, nos quais o carro da equipe italiana tinha um entre-eixos menor, mais apropriado para o traçado travado de Hungaroring. Mesmo assim, a escuderia italiana brigará pela vitória na décima segunda etapa da temporada porque o bólido deste ano se comporta bem em qualquer tipo de pista, pois é um projeto mais equilibrado. Os próprios dirigentes da Mercedes reconhecem que a Ferrari é o carro a ser batido no momento.
Independentemente do azar de Vettel, Hamilton conseguiu reverter uma situação severamente desfavorável com uma atuação de luxo em Hockenheim, chegando a sua vitória de número 66. Com apliques de trancinhas no cabelo, o tetracampeão inglês vibrou muito neste domingo, mas respeitou os torcedores de Vettel. Por curiosidade,  a plateia deixou clara sua preferência pela Mercedes – equipe da casa - e não pelo piloto alemão. Quando Vettel bateu, a maior parte da torcida presente ao circuito comemorou intensamente a infelicidade de seu conterrâneo como se fosse um gol.

Resultado final do GP da Alemanha:
1) L. Hamilton - Mercedes - 67 voltas
2) V. Bottas - Mercedes - a 4s535
3) K. Raikkonen - Ferrari - a 6s732
4) M. Verstappen - Red Bull - a 7s654
5) N. Hulkenberg - Renault - a 26s609
6) R. Grosjean - Haas - a 28s871
7) S. Perez - Force India - a 30s556
8) E. Ocon - Force India - a 31s750
9) M. Ericsson - Sauber - a 32s362
10) B. Hartley - Toro Rosso - a 34s197
11) K. Magnussen - Haas - a 34s919
12) C. Sainz Jr - Renault - a 43s069
13) S. Vandoorne - McLaren - a 46s617
14) P. Gasly - Toro Rosso - a uma volta
15) C. Leclerc - Sauber - a uma volta
16) F. Alonso - McLaren - não completou
17) L. Stroll - Williams - não completou
18) S. Vettel - Ferrari - não completou
19) S. Sirotkin - Williams - não completou
20) D. Ricciardo - Red Bull - não completou

Melhor volta - L. Hamilton - Mercedes - 1min15s545

Classificação do Mundial de Pilotos:
1) L. Hamilton - Mercedes - 188 pontos
2) S. Vettel - Ferrari - 171 pontos
3) K. Raikkonen - Ferrari - 131 pontos
4) V. Bottas - Mercedes - 122 pontos
4) D. Ricciardo - Red Bull - 106 pontos
5) M. Verstappen - Red Bull - 105 pontos
7) N. Hulkenberg - Renault - 52 pontos
8) F. Alonso - McLaren - 40 pontos
9) K. Magnussen - Haas - 39 pontos
10) S. Perez - Force India - 30 pontos
11) E. Ocon - Force India - 29 pontos
12) C. Sainz Jr - Renault - 28 pontos
13) R. Grosjean - Haas - 20 pontos
14) P. Gasly - Toro Rosso - 18 pontos
15) C. Leclerc - Sauber - 13 pontos
16) S. Vandoorne - McLaren - 8 pontos
17) M. Ericsson - Sauber - 5 pontos
18) L. Stroll - Williams - 4 pontos
19) B. Hartley - Toro Rosso - 2 ponto
20) S. Sirotkin - Williams - 0 ponto

Classificação do Mundial de Construtores:
1) Mercedes - 310 pontos
2) Ferrari - 303 pontos
3) Red Bull - 211 pontos
4) Renault - 80 pontos
5) Force India - 59 pontos
6) Haas - 59 pontos
7) McLaren - 48 pontos
8) Toro Rosso - 20 pontos
9) Sauber - 18 pontos
10) Williams - 4 pontos



2 comentários
Média dos votos: 125.0/5
Daniel Dias
2018-07-24 01:35:22
Muito interessante tuas observações, campeão. Para complementa-las, uma coisa que o Gabriel e eu estávamos falando há pouco: o Vettel errou porque sabia que o Hamilton estava 2 segundos maus rápido por volta e que seria quase impossível de segurar o inglês no final da prova. O erro do Vettel, pro tamanho de piloto que ele é, só pode vir por algum motivo, no caso, o Hamilton muito mais rápido na pista naquele momento. E aí eu pergunto: não daria para o Vettel sossegar e terminat em segundo, ficando ainda líder do campeonato? Ai ele não se chamaria Sebastian Vettel, ele jamais faria isso. Podem chamar isso de defeito do alemão, talvez seja mesmo, mas ele sempre será assim.
Francisco Cavalin
2018-07-24 00:57:20
Daniel. Permita-me discordar de ti. Peço vênia.
Hamilton teve sorte no campeonato, mas não na corrida, com a batida do Vettel, ele teria ganho de qualquer forma. Hamilton já tinha tirado 10s desde a troca de pneus e após a chuva começar. Quando Vettel bateu, ele estava 14s a frente de Hamilton, que vinha tirando quase 2s por volta. Enquanto todos os pilotos dançavam no sabão que se tornou o "hairpin", Hamilton passava ileso e sem dificuldades, parecia Senna. Hamilton estava tão a vontade como Senna em Donington Park em 1993. A batida do Vettel me deu uma sensação muito parecida com a que tive no GP de Mônaco de 1984 onde Senna vinha babando atrás de Prost e o diretor da prova encerrou a prova 1 volta antes do Senna passar Prost. EM 1984, Senna passaria Prost e seria épico, ontem, também, se Vettel não tivesse batido, Hamilton teria passado na pista Bottas, Raikkonen e Vettel. A diferença de 1984 para ontem, foi que ontem foi absolutamente justo, já em 1984, foi exatamente o contrário.
Tenho que reforçar a enorme diferença entre as ordens da Ferrari e da Mercedes. Vettel em momento algum ameaçou Raikkonen e ainda exigiu pelo rádio que Raikkonen saísse da frente. Já na Mercedes, Hamilton resolveu a dura disputa na pista antes de qualquer ordem dos boxes para Bottas manter a posição.
A prova de ontem, foi daquelas provas épicas, como o GP Brasil de 1993 e Donington Park 1993, deixando o torcedor do Hamilton em êxtase e com sentimento de dever cumprido, nada a ver com vingança.

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